Elogio da mentira

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José Guber é escritor de romances policiais baratos, desses vendidos em banca de jornal. Fúlvia Melissa é especialista em cobras, casada com um próspero comerciante. A dupla de amantes, inusitada já no nome, protagoniza o irônico e surpreendente Elogio da mentira, romance policial no qual Patrícia Melo homenageia grandes mestres das letras, como Edgar Allan Poe, Dostoievski, Patricia Highsmith, Agatha Christie, Rubem Fonseca e Zola, enquanto alfineta, com muita irreverência, o mercado editorial.

A paródia permeia a narrativa de Patrícia Melo e dá o tom gozador, quase inverossímil, da história. No livro, José Guber inspira-se em grandes clássicos da literatura para criar versões populares, ‘acessíveis’, como ele mesmo diz, ao público geral. Ele trabalha em ritmo industrial, entregando um novo romance a cada quinze dias. Guber estava preso a uma vida sem emoções até que, ao visitar o Instituto Soroterápico Municipal de São Paulo para colher material para a obra seguinte, ele se encanta por Fúlvia Melissa. Os dois iniciam um tórrido romance e tudo parece ir bem até que Fúlvia pede a ajuda de Guber para assassinar o marido usando uma cobra venenosa para simular um acidente. Ironicamente, a vida de Guber ganha ares de novelão mexicano, versão canhestra das histórias que cria, depois que Ronald, o marido de Fúvia, escapa milagrosamente da morte. O fracasso potencializa a ira de Fúlvia, que obriga o amante a utilizar seu conhecimento de tramas policiais para elaborar o esboço de um crime perfeito. Profissionalmente, no entanto, a vida de Guber dá uma guinada: ele abandona as páginas manchadas de sangue e se transforma num bem-sucedido autor de títulos de autoajuda.

Com pleno domínio da montagem narrativa, linguagem fluente e humor ácido, Patrícia Melo constrói uma trama ágil e envolvente, ao mesmo tempo que homenageia grandes mestres da literatura e faz uma leitura sarcástica do mercado editorial, fazendo de Elogio da mentira um livro que não pode faltar na estante dos fãs do gênero policial.

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